
Fui instantaneamente tocada ao ver esta foto publicada no jornal a folha de São Paulo. Vi ali a reprodução de um sentimento que venho sentindo já há algum tempo. Primeiramente quero esclarecer que não vou aqui falar em nenhum momento do mérito da causa palestina ou israelense. Não é disso que se trata, mas sim do sentimento que expressa essa foto, que para mim mereceria um prêmio, pois o fotógrafo foi de uma extrema felicidade e sensibilidade ao clicar esse momento. O que vemos ali? Uma pessoa sozinha lutando pelos seus ideais contra uma massa enorme de interesse contrário e outra maior ainda de simples espectadores. Isso desperta diferentes sentimentos de acordo com a crença e os princípios de cada um. Uns dirão: Que mulher tola! Pra que lutar contra a maioria? O que ela ganhará sendo idealista e sonhadora? O mundo não é assim, e você deve se adaptar às circunstâncias para sobreviver. Esses normalmente são os que estão em cima do morro apenas olhando sem se aperceberem que estão em maioria e se ao invés de pensarem assim se unissem à lutadora venceriam essa batalha. Os policiais em grande maioria estão cumprindo ordens e nem sempre concordam com elas, mas não ousam descumpri-las para não perderem os seus benefícios, afinal estão cumprindo o seu papel e acreditam que apenas o mandante é o responsável pelas conseqüências de suas ordens. Será mesmo? Notaram que ele não aparece na foto? E a solitária guerreira? O que pensa ela? Acredito que vários pensamentos e sentimentos a assaltam, tristeza, revolta, angústia, desânimo, mas o principal deles deve ser a tranqüilidade do dever cumprido e a paz com sua consciência de ter agido de acordo com suas convicções e ideal. Mesmo sendo “derrotada” exteriormente falando, e aos olhos do homem. É uma “vencedora” interiormente falando, e aos olhos de Deus.
Estou certa de que todos aqueles que se indignam com as injustiças e lutam contra isso, compartilham destes mesmos sentimentos!
Nota: Foto publicada no jornal Folha de S.Paulo de 02/02/2006 - Foto de Oded Balilty/Associeted Press

Narra antiga lenda árabe que um Sheik, muito religioso e dedicado, vivia muito feliz com sua família. Esposa admirável e dois filhos muito queridos.
Certa vez, por imperativos da religião, o sheik empreendeu uma longa viagem, ausentando-se do lar por vários dias.
No período em que esteve ausente, um grave acidente provocou a morte dos dois filhos amados.
A mãe sentiu o coração dilacerado pela dor. No entanto, por ser uma mulher forte, sustentada pela fé e pela confiança em Deus, suportou o choque, com bravura. Sua grande preocupação passou a ser como daria a triste notícia ao esposo.
Sabendo-o portador de insuficiência cardíaca, temia que el não suportasse tamanha comoção. Lembrou-se de que Deus nunca nos desampara e, com muita fé, fez uma prece, rogando pelo auxílio Divino.
Alguns dias depois, num final de tarde, o sheik retornou ao lar. Abraçou, longamente, a esposa e perguntou pelos filhos. Ela pediu que não se preocupasse. Que tomasse seu banho e logo depois ela lhe falaria dos garotos. Alguns minutos depois, ambos estavam sentados à mesa. Ela lhe perguntou sobre a viagem e ele, mais uma vez, perguntou pelos filhos. A esposa, um pouco embaraçada, respondeu ao marido:
- Deixe os filhos. Primeiro quero que você me ajude a resolver um problema de enorme gravidade. O marido, já um pouco preocupado, perguntou:
- O que aconteceu? Notei você bastante abatida. Fale! Resolveremos juntos, com a ajuda de Deus.
- Enquanto você esteve ausente, um amigo nosso visitou-me e deixou duas jóias de valor incalculável para que eu guardasse. São jóias muito preciosas, daquelas que fazem a felicidade de qualquer um! Nunca vi nada mais belo! O problema é esse! Ele vem busca-las e eu não estou disposta a devolve-las, pois já me afeiçoei a elas. O que você me diz?
- Ora mulher, não estou entendendo seu comportamento...você nunca cultivou vaidades. Por que isso agora?
- É que eu nunca tinha visto jóias assim! São maravilhosas!
- Podem até ser, mas não lhe pertencem! Terá que devolve-las!
- Mas, não consigo aceitar a idéia de perde-las. Partiria meu coração!
O sheik respondeu, com firmeza:
- Ninguém perde o que não possui. Retê-las seria o mesmo que roubar. Vamos devolve-las, eu a ajudarei. Faremos isso juntos, hoje mesmo.
- Pois bem, meu querido, seja feita a sua vontade. O tesouro será devolvido. Na verdade, isso já foi feito. As jóias preciosas eram os nossos filhos. Deus os confiou à nossa guarda e, durante a sua viagem, veio busca-los. Eles se foram...
O sheik compreendeu a mensagem. Abraçou a esposa e, juntos, choraram muito. Mas, eram lágrimas de saudade e, não, de revolta.
